Fotografia minimalista: um guia completo para entender e praticar

O conceito de minimalismo nasceu por volta dos anos 1960, defendendo o princípio de reduzir a utilização de recursos e elementos, ao mínimo possível, em todas as criações. O design e a arte aplicam o conceito de maneiras individuais, com algumas diferenças sutis. Já a fotografia minimalista tenta pegar o que há de melhor nas duas visões e aplicar nas imagens.

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Com certeza você já ouviu algumas dessas frases abaixo, não é mesmo?

“Menos é mais” – Mies van der Rohe, arquiteto.

“Menos, mas melhor” – Dieter Rams, designer de produtos.

“Fazer mais com menos” – Buckminster Fuller, engenheiro estrutural.

Nas artes plásticas, o minimalismo nasceu para se contrapor ao movimento do expressionismo abstrato, que surgiu nos Estados Unidos e dominou as criações em diversas regiões. A ideia era quebrar as barreiras do exagero e oferecer um olhar mais simples, suave e menos exagerado para a pintura e escultura.

No design, o minimalismo ganhou mais força nos anos 1980, quando um grupo de designers criava projetos com cores neutras e formas bem simplificadas. Neste aspecto, o design minimalista acabou sendo atrativo apenas para os novos ricos, os Yuppies, que pretendiam expor sua riqueza, já que os produtos eram criados sem levar em consideração sua ergonomia, tornando-se cada vez menos funcionais.

O minimalismo também influenciou a música, a literatura e a linguística. Mas é no design, nas artes plásticas e na fotografia que o estilo ganhou espaço e é aplicado até hoje.

A fotografia minimalista

A grande função deste estilo é avaliar e escolher muito bem cada detalhe que fará parte da imagem. Todos os fotógrafos, diariamente, devem escolher o que deve estar presente das fotos e quais elementos precisam sair. A diferença na fotografia minimalista é justamente fazer registros bem simples, ou seja, com poucos elementos gráficos. Para facilitar podemos imaginar uma paisagem com uma única árvore, por exemplo. Ao fazer fotos minimalistas de paisagem o ideal é tentar causar um efeito de solidão, como se o espectador estivesse sozinho admirando os poucos elementos que existem na cena.

Na fotografia, diferente das artes plásticas e do design (que iniciam os projetos do zero, em uma tela em branco), é preciso observar a cena já existente e pensar cuidadosamente sobre quais são os componentes essenciais da imagem. Isso não quer dizer que não seja possível deixar a criatividade falar mais alto e criar imagens em estúdio, mas o mais incrível mesmo é registrar a simplicidade de onde normalmente encontramos o caos; seja na cidade ou na natureza, há sempre grandes possibilidades minimalistas por aí.

O processo de criação

Na verdade é tudo muito simples, utilizando os mesmos recursos que temos para registrar tantos outros estilos fotográficos. O ponto crucial é apenas ser cauteloso e detalhista. Mas não basta ser apenas simples, é preciso causar impacto e reter o olhar do observador em um único elemento, que seja instigante e atrativo.

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Foto: Adrianna Calvo

Tudo começa no enquadramento, definindo um ponto de vista e uma distância focal que destaque a seção mais limpa da cena. Depois é preciso calcular a avaliar o equilíbrio e a divisão dos elementos, áreas vazias em destaque costumam impactar ainda mais os elementos principais. Quando estiver tudo bem alinhado, transmitindo algum tipo de sentimento (solidão, paz etc.) ou sensação (textura, altura, distância etc.) é só fazer a foto.

Podemos definir um pequeno roteiro com cinco passos para ajudar você a iniciar suas criações de fotografia minimalista. Confira:

  1. Defina um assunto minimalista: não é necessariamente essencial, mas facilita na hora de pensar sobre onde procurar os locais e cenas ideais. Se no design podemos definir um foco, porquê não fazer o mesmo na fotografia?
  2. Escolha o melhor enquadramento: é necessário tirar alguns elementos de vista e tentar encaixar os outros que interessam. Não esqueça de incluir algumas áreas vazias, que, quando organizadas de maneira uniforme, proporcionam maior sensibilidade à imagem.
  3. Dê atenção à consistência de cores e tons: imagens cheias de cores dificilmente poderão transmitir o conceito minimalista. O mais indicado é uniformizar e combinar, objetivando os sentimentos e/ou as sensações que deseja transmitir.
  4. Prefira linhas limpas: linhas e formas geométricas são simples e agradam nossos olhos. Mas cuidado para não misturar várias formas diferentes.
  5. Capriche na edição: grande parte das fotografias minimalistas precisam ser editadas para dar mais clareza à sua intenção. Você pode unificar cores e tons, aumentar o contraste, criar sombras, controlar melhor a exposição, melhorar luzes altas etc. O tratamento aqui é quase que necessário, mas sem exageros; faça tudo sempre com muito equilíbrio.

Espaço de inspiração

Agora que você já sabe tudo sobre fotografia minimalista aproveite para se inspirar com as imagens que escolhi a dedo nesta galeria:

Se quiser ainda mais inspiração, conheça alguns fotógrafos profissionais que trabalham com base neste conceito:

O estilo também faz muito sucesso no Instagram:

 

E se você quiser aprender ainda mais, no vídeo abaixo há algumas dicas extras (em inglês) que complementam o que foi dito aqui.

Eu adoro observar fotografias minimalistas, acredito que são excelentes para ensinar o olhar a observar melhor os detalhes de tudo. Confesso que já tentei fazer, mas ainda não consegui nada digno de ser compartilhado… rs… O mais difícil é aprender a observar os detalhes em um mundo cheio de exageros. É um estilo nada fácil, mas pode ser aprimorado com a prática constante, assim como tudo na vida.

Se você estiver pensando em fazer algumas fotos não esqueça de nos contar ali no espaço de comentários como foi a sua experiência. E se você tiver algumas dicas extras, que não estão neste post, envie também, afinal conhecimento só é bom de verdade quando é compartilhado! 😉

Fontes:

→ Minimalismo na Wikipedia.

A Mente do Fotógrafo, de Michael Freeman (capítulo 2).

 

4 Comentários

  1. Gabriel Galvão
    1 de março de 2016 at 11:45 Responder

    Muito interessante. Gosto muito de apreciar o minimalismo e sei que é muito difícil conseguir um resultado impactante com poucos elementos. Ótimo post!

    • Eliane Terrataca
      1 de março de 2016 at 15:07 Responder

      Obrigada Gabriel! É realmente um estilo difícil, mas que resulta em lindas imagens! Obrigada pela visita e volte sempre para conferir as novidades.

      Um abraço.

  2. Chico Nogueira
    4 de fevereiro de 2017 at 14:41 Responder

    Ótimo artigo. Descobri que meu estilo de fotografar é minimalista. Grd. abraço

    • Eliane Terrataca
      20 de fevereiro de 2017 at 19:31 Responder

      Que bom que gostou, Chico! 🙂
      Agradeço a visita e o comentário, volte sempre para não perder nada!
      Um forte abraço.

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