Fotografia pode matar alguém?

Você provavelmente conhece essa fotografia. Ela foi feita em março de 1993 pelo fotojornalista Kevin Carter. Há uma pequena história por trás dela que acabou prejudicando a carreira do profissional, que passou a ser taxado de desumano. Afinal é imcompreensível pensar como ele pôde ficar, por 20 minutos, esperando que o abutre abrisse as asas para fazer a foto. De tanto esperar acabou desistindo, fez a foto como a conhecemos e depois foi espantar o bicho de perto da criança, que estava ali apenas descansando.

A cena é chocante! E foi exatamente este trabalho que provou ao mundo que uma fotografia pode, sim, matar uma pessoa. Carter sofreu tantas críticas e tanta pressão por esta imagem que acabou ficando atordoado. Sua carreira foi marcada por imagens pesadas, mas esta foi a que mais mexeu com a consciência dele. O resultado disso tudo foi o suicídio. Em julho de 1994 (pouco mais de dois meses de ter ganho o prêmio Pulitzer de Fotografia) Carter suicidou-se com monóxido de carbono que colocou dentro de seu próprio carro.

Provando o peso que carregava dentro de si mesmo existe um recado que ele escreveu antes de tomar a decisão de se matar:

“Estou deprimido… Sem telefone… Sem dinheiro para o aluguel.. Sem dinheiro para ajudar as crianças… Sem dinheiro para as dívidas… Dinheiro!… Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor… Pelas crianças feridas ou famintas… Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos…”

Fico imaginando todas as acusações e julgamentos que ele deve ter sofrido e a pressão que isso fez na mente dele. Mas, por mais que ele tenha errado e falhado com a ética do fotojornalismo, ainda assim, ele fez um trabalho de extrema importância para o mundo. Nós temos o direito de não gostar das imagens que ele capturou, mas devemos reconhecer como é importante existirem no mundo pessoas com esse coração frio. É fácil reclamar e dizer que a fotografia é de mal gosto. O difícil é ter coragem de encarar as imperfeições do mundo e exibí-las para mostrar que precisam de atenção, precisam ser corrigidas…

Por isso eu admiro Kevin Carter!

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